Vá e faça! Qual deve ser o mindset do gestor de projetos?

Vá e faça! Qual deve ser o mindset do gestor de projetos?

Tudo se transforma rapidamente e o gestor de projetos também precisa se adaptar. Lidamos com a transformação digital, com a transformação cultural, com a transformação que a economia 4.0 nos propõe e, enquanto isso, as empresas e projetos continuam com foco em resultado.

O PMP, Joel de Souza Felício, voluntário do PMI-SC, que atua há 18 anos como gerente de projetos, sendo 11 deles na Futura América Latina, concedeu uma entrevista muito interessante e que aponta os rumos da gestão de projetos nas empresas e também para os gerentes de projetos. “A principal mudança do mindset na equipe de projetos é ter a consciência de que, atualmente, as coisas evoluem de um modo muito rápido”, destaca.

 

Confira a entrevista completa:

 

PMI Santa Catarina – O valor da gestão de projetos já é consenso entre as empresas? Quais setores são mais propensos às práticas?

 

Joel Felício – Infelizmente ainda não. Nosso grande bloqueio para um planejamento de projeto é cultural, nós ainda somos uma cultura que planeja pouco e improvisa muito.  Não que o jogo de cintura do improviso seja um pecado mortal, aliás nosso “jeitinho brasileiro” em determinadas situações, como urgências, é muito bem vindo. Mas é exatamente nesse ponto que mora o perigo. O fato de alguma coisa, ou muitas, serem resolvidas no improviso, acaba gerando a falsa impressão de que planejar para depois gerenciar seja uma perda de tempo. E isso é uma decisão ou comportamento que pode acarretar muitos problemas na gestão de projetos.

Eu particularmente não relaciono as práticas de gestão a setores, mas sim ao “sangue novo dos gestores”, porque tenho visto que, quanto mais “sangue novo” existir naquele setor, mais propenso ele estará às práticas de gestão. Ter gestores mais experientes ou às vezes muito técnicos, ajuda muito a tomar decisões mais assertivas e com isso ter um risco menor. Mas há o risco de entrar muito fundo na chamada “zona de conforto”, onde é comum ouvir a clássica expressão: “Pra que mudar, sempre foi feito assim”!

A área de TI por ter muito “sangue novo” se destaca bastante no uso de práticas de gerenciamento, mas também é uma área que é muito propensa a “modismos”. As áreas de engenharia, por sua vez, têm ganhado espaço na aplicação das práticas de gerenciamento, por serem áreas com menos solicitações drásticas de mudança durante a execução do projeto. Se compararmos ao setor de TI, o setor de engenharia possui projetos mais consolidados.

Mesmo tendo evoluído bastante em todas as áreas, ainda temos uma gestão ou uso de práticas de gestão  muito básicas. A parte boa é que temos muitas oportunidades e com isso o profissional pode se destacar praticamente em qualquer setor, simplesmente aplicando as boas práticas de gerenciamento de projetos.

 

PMI Santa Catarina- A agilidade exigida pelo mercado é hoje fator de diferenciação entre as empresas. Qual é a principal mudança de mindset de uma equipe de projetos para alcançar resultados mais ágeis e perenes?

 

Joel Felício – A principal mudança do mindset na equipe de projetos é ter a consciência de que atualmente as coisas evoluem de um modo muito rápido. Esta rápida transformação deve ser levada em conta. Devemos nos preocupar e dar a devida atenção para acompanhar as evoluções tecnológicas, de informação, de conhecimento, etc. e nos adaptarmos a essas transformações que influenciarão diretamente na gestão de projetos.

Aqui vale um exemplo. Há cinco anos conclui um MBA em Gerência de Projetos.  Tínhamos grupos, trocamos mensagens por e-mail, Skype, Messenger, Facebook, ou na nuvem, mas não tínhamos grupo de WhatsApp. Por quê? Por quê não gostávamos do WhatsApp? Não! Era porque ainda não havia esta ferramenta.

Atualmente para todo grupo de projeto que gerencio é criado um grupo de WhatsApp, que facilita muito a comunicação. Mesmo atitudes simples como essa geram adaptação, pois os integrantes da equipe devem ter smartphones, acesso à internet wi-fi ou 4G, aceitar essa condição, etc. Parece simples para a nova geração, mas um time de projeto eclético, pode ter integrantes com funções essenciais no projeto e que não tenham tanta facilidade com o uso da tecnologia. São justamente adaptações como esta, que a equipe e os profissionais de projetos devem se adaptar para alcançar resultados mais ágeis e efetivos.

 

PMI Santa Catarina- O conceito de projetos é muito abrangente e o PMI tem trabalhado no sentido de evidenciar os benefícios de uma gestão qualificada em diversos setores. Os profissionais já entenderam a necessidade de conhecer e aplicar determinadas práticas dentro das empresas? Qual sua percepção sobre o profissional de projeto do futuro (ou do presente)?

Joel Felício – Os profissionais de projeto que conheço (me incluo) já entenderam a necessidade de uma gestão melhor, mais qualificada. O grande desafio aqui é o foco no resultado, no seguinte aspecto: não adianta apresentar um projeto onde foi gasto energia, esforço, atenção, etc., mas que dê prejuízo.

Empresas geram valor e em um país como o nosso, onde empreender é um verdadeiro ato de “coragem”, o profissional de gestão de projeto deve desenvolver essa habilidade de demonstrar que, ao aplicar determinadas práticas, melhora o resultado, melhora a geração de valor, e focar a sua energia e atenção na demonstração da melhora do resultado. Por exemplo: uma EAP (Estrutura Analítica do Projeto) simples mas bem feita, focando nos pacotes de entrega do projeto, para um mercado “imaturo” em gestão como o nosso, pode impactar positivamente muito mais do que uma apresentação de “PowerPoint”  cheia de slides coloridos.

Em relação ao profissional de projeto do futuro, deverá ter um nível enorme de adaptação mas sem perder o foco no resultado. Isso é extremamente desafiador, pois cada vez mais será necessário agilidade, mas sem ser superficial, sofisticado e burocrático.

 

PMI Santa Catarina- Se pudesse indicar um caminho, um direcionamento para que as empresas possam viabilizar melhor suas iniciativas e colher resultados assertivos – com a gestão de projetos – qual seria?

Joel Felício – Sou muito pragmático nesta questão. Para a organização o caminho que indico é simples: as empresas devem encorajar seus funcionários, dar a autonomia necessária e acompanhar para que ele dê o melhor de si! Claro que para isso uma empresa deve ter a consciência da capacidade que ela mesma possui e também estar disposta a ajudar na evolução e crescimento da equipe, mas de forma real e não somente com um cartaz na parede indicando missão e visão da organização.

Para o profissional o caminho que sempre indico é: “Done is better than perfect”, numa tradução literal: “Feito é melhor do que perfeito”. No sentido de: tome a iniciativa, vá lá e faça! Avalie riscos e os gerencie. Projeto sempre será um desafio, por isso que se gerencia!

Foque na simplicidade, internalize as boas práticas de gerenciamento em seu dia a dia, seja na organização de suas férias, de uma viagem, na aquisição de um bem ou mesmo na organização de um simples churrasco em família. Procure utilizar as boas práticas de gerenciamento onde puder e torná-las parte da sua rotina, pois quando se tornarem uma necessidade profissional, como já faz parte do seu cotidiano, vai melhorar seu desempenho como gestor. Certamente com uma performance melhor, todos ganham e se colhe resultados melhores.

Vá e faça!! Pois esperar para encontrar um momento ou um caminho ideal…você pode correr o risco de que este momento nunca chegue!

Se alguém te oferecer uma oportunidade incrível, mas você não tem certeza de que consegue fazer, diga sim! E depois aprenda como fazer. (Richard Branson)

 

Conheça mais sobre Joel Felício

Experiência Profissional:

Futura América Latina (11 anos)

Função: Gerente de Projetos

Responsável pelo gerenciamento das áreas: Técnica, Comercial e Administrativa.

 

Joinpaper Ltda

Função: Gerente de Projetos (7 anos)

Responsável pela transferência tecnológica da Matriz, sediada em Lucca na Itália.

 

Gerenciamento de Projetos no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Itália e Estados Unidos

 

Formação Acadêmica:

Certificado PMP desde 2016.

 

  • UNIVALI – Itajai / SC

Master of Business Administration (MBA)

  • UDESC – Joinville / SC

Especialista, Engenharia de Produção

  • CEFET – Curitiba / PR

Tecnólogo em Mecânica, Processo Industrial