EPROJ – Escritório de Projetos quer promover o uso da gestão de projetos para melhorar a gestão pública.

Regulamentado este mês (Decreto 632/2020), o Escritório de Projetos de Santa Catarina (EPROJ) já colhe frutos de um trabalho realizado há sete anos. O PMI Santa Catarina é um dos parceiros do Escritório, com o objetivo de auxiliar sempre que possível na adoção e disseminação de boas práticas para a gestão de projetos no setor público.

Vítor Corrêa, Coordenador do EPROJ, nos concedeu uma entrevista que aborda os principais objetivos e desafios daqui para frente. “A rede de projetos, na verdade, é uma união de esforço entre, servidores, entidades, sociedade civil e outros parceiros que possuem um mesmo objetivo: promover o uso da gestão de projetos para melhorar a gestão pública”.

Confira a entrevista completa:

A regulamentação do EPROJ corrobora a importância do Escritório para o Estado. Qual o entendimento do governo sobre a necessidade da atuação dos GPs e do Escritório? Que indicadores devem ser melhorados?

Vítor Corrêa – O Escritório de Projetos de SC completou 7 anos de existência. Até o ano passado, estava focado na gestão de um programa de governo e, com a edição da lei da reforma administrativa, foi alçado a uma posição estratégica, fazendo parte do Gabinete do Governador e reconhecido formalmente como estrutura de estado.

Esta nova fase do EPROJ, podemos chamar assim, vem atribuída de alguns desafios. O primeiro deles foi a criação de um Banco de Projetos Estadual, que foi vencido em 2019, inclusive destacando a atitude pioneira desta ação dentro do cenário da gestão pública nacional. Além deste, atualmente estamos focados na estruturação dos Núcleos de Projetos Setoriais – NUPROJ e na disseminação da cultura de gestão de projetos em SC.

A proposta é que o conhecimento adquirido pelo EPROJ, tanto em metodologia, sistemas e boas práticas, seja transferido para estes núcleos, para que tenham a autonomia para planejar e executar seus projetos setoriais. Assim o EPROJ pode se dedicar ao monitoramento e controle de portfólios de projetos estruturantes do estado, além de apoiar as demais estruturas.

Neste contexto, foi criado um modelo de gestão estadual baseado em indicadores de resultados, que norteiam a visão estratégica deste governo e serão alcançados através de ações, revisão de processos ou na estruturação de projetos, transformando os objetivos em realidade.

Neste ponto, a contribuição do EPROJ e os gestores de projetos é fundamental, atuando em todas as etapas deste processo: planejamento, execução, monitoramento e controle e encerramento, contribuindo com a gestão eficiente dos recursos e na gestão do conhecimento, fundamental na área pública.

 

Sabemos da importância e do impacto que terá no retorno da gestão ao cidadão. Pode falar mais sobre isso?

Vítor Corrêa – Primeiramente, a capacidade do governo em realizar suas entregas, honrar seus compromissos assumidos, cumprindo os escopos dos projetos planejados, executando-os em um menor prazo e otimizando os recursos disponíveis.

Outra contribuição é a da transparência. O EPROJ desenvolveu uma ferramenta que dá publicidade aos projetos do estado, no qual os cidadãos podem acompanhar e monitorar o andamento dos projetos em tempo real, favorecendo o controle social e a accountability.

Além de outras contribuições indiretas, como a qualificação da gestão pública, priorização de projetos baseado em dados técnicos e fomento ao planejamento contínuo, dentre outras.

 

Um dos objetivos do EPROJ é fomentar a Rede de projetos de SC, isso? Por onde irão começar? E como a parceira do PMI-SC pode ajudar nesse processo?

Vítor Corrêa – A rede de projetos, na verdade, é uma união de esforço entre, servidores, entidades, sociedade civil e outros parceiros que possuem um mesmo objetivo: promover o uso da gestão de projetos para melhorar a gestão pública.

Neste contexto, vislumbramos o PMI como um grande parceiro, seja como um divulgador destas ações ou como apoiador direto desta transformação na gestão pública estadual, contribuindo com a disseminação da cultura de gestão de projetos em SC, participando de nossos eventos, capacitações, treinamento e demais ações. Ou seja, vemos o PMI-SC como um participante ativo de nossa Rede de Projetos.

 

Com sua experiência, poderia apontar para os filiados, quais são os principais desafios como profissional envolvido no EPROJ? Que conhecimento, networking e experiências reuniram para contribuir com esse projeto e o que orienta a quem está buscando se desenvolver como gerente de projetos?

Vítor Corrêa – Talvez um dos grandes desafios para gestor público é entender a complexidade com que a máquina pública trabalha, sendo pelo excesso de legislações e suas regras próprias a serem observadas, seja pela hierarquia das instituições e a influência política nas decisões, ou pela responsabilidade de suas ações que podem impactar milhares de pessoas.

Poderia citar outras particularidades do serviço público que fazem com que o trabalho do gestor público seja desafiador, no entanto, trazendo para a realidade do EPROJ, gostaria de destacar algumas habilidades a serem observadas que contribuem com nossos resultados: automotivação, comprometimento e trabalho em equipe.

A automotivação é o ato de motivar a si mesmo, provocada por estímulos internos. Certamente, acredito no poder da motivação. No entanto, quando trabalhamos no serviço público, temos que entender que se trata de um propósito, uma missão, que o impacto de seu trabalho afeta direta ou indiretamente uma sociedade e, mais do que isso, que os resultados, muitas das vezes, dependem de sua força de vontade e de seu empenho real. Então a automotivação leva o servidor a se colocar como um agente de transformação em seu ambiente de trabalho, desmistificando a figura do “servidor público” como agente passivo que por tempo imperou no consciente social

Já o comprometimento é decorrente da postura e atitudes dos gestores em prol do que acreditamos, em tornar mais eficiente a gestão pública estadual, a cada novo desafio, a cada nova tarefa.

E por fim, o trabalho em equipe é fundamental para um bom gestor. Saber se relacionar, ouvir e também se posicionar, extrair o que há de melhor em cada membro do seu grupo, entender que, muito mais do que vencer os desafios, é ter alguém para compartilhar as vitórias, as derrotas e aprender com elas.

Envolva-se com o gerenciamento de projetos em nosso estado!