Como é a cultura Ágil na sua empresa?

Como é a cultura Ágil na sua empresa?

É consenso entre a comunidade Ágil e os gerentes de projetos que a cultura organizacional influencia na adoção e desenvolvimento de práticas ágeis dentro das empresas. Isso porque incentiva a atuação transparente e integrada da equipe de projetos e do PMO  em prol de resultados sustentáveis.

Dionei Piazza, associado ao PMI Santa Catarina e voluntário em diversas iniciativas, possui mais de 18 anos de experiência na área da tecnologia pública e privada. Blumenauense, atua como Enterprise Agile Coach na empresa Multitherm Sistemas e Automação de Blumenau. “Sou um entusiasta neste mundo do conhecimento no qual respiro Lean, Agile, pessoas, tecnologia, projetos e música”, conta.

Confira a entrevista com ele e compartilhe sua opinião!


Quer saber mais sobre Ágil? Participe do Workshop PMO Ágil, com Fábio Cruz!
Florianópolis – 27 de julho – http://pmisc.org.br/workshop-pmo-agil-joinville/
Joinville – 03 de agosto – http://pmisc.org.br/workshop-pmo-agil-joinville/

 


PMI SC – Metodologias ágeis são indispensáveis para o gerente de projetos?

 Dionei Piazza – Com toda certeza que sim! Durante a nossa caminhada, vamos conquistando novas habilidades e costumo compará-las a utilitários em uma caixa de ferramentas. Procuro entender todo e qualquer conhecimento como uma oportunidade de promover melhoria pessoal e profissional.

 

No mundo Ágil, infelizmente, criou-se um ruído rotulado como “Agora somos auto organizados, não precisamos mais de Gerentes!” Lembram-se disso? Pois então, resultado de uma má interpretação que levou em consideração somente a simples leitura do guia de um famoso framework Ágil.

 

Além disso, precisamos considerar também que, existem grandes empresas onde a complexidade de sua estrutura ainda requer uma departamentalização e suas respectivas gerências. Geralmente, o que vemos é que, em organizações como estas, transformam um PMO em um PMO Ágil.

 

Também não é incomum encontrarmos profissionais que antes exerciam o papel de gerente de projetos, e que agora, após a implementação das metodologias Ágeis, passaram a atuar no papel de Scrum Master, Release Train Engineer, Service Delivery Manager, ou ainda, Agile Coach.

 

O ponto é que, além de serem papéis singulares, para termos de fato os benefícios esperados em cada um deles, faz-se necessária muita vivência, muita prática, muitos erros e acertos, afinal, a ação de alterarmos o nome de um papel sem que este profissional possua realmente tal expertise, não mudará em nada as suas entregas, muito pelo contrário, isso causará um efeito dominó de frustrações em toda a cadeia de valor da organização, começando no profissional e avançando sucessivamente para o time, demais colaboradores, e claro, para o cliente!

 

Partindo da premissa de que projetos possuem naturezas e expectativas distintas, faz todo o sentido termos gerentes de projetos aptos ao propósito de lidar com diferentes abordagens Ágeis em cada um destes intentos!

 

PMI SC – Qual é o maior desafio para implementação Ágil nas empresas?

 Dionei Piazza – Primeiramente, temos que desmistificar o termo “implementação do Ágil”, ou seja, temos que entender que ele não existe! Seria mesmo muito gratificante se existisse um processo de “Implementação do Ágil”. Uma maneira em que eu, facilitador do Ágil/Agente de mudança/Agile Coach, teria um papel simples de, em alguns dias de treinamento, mostrar cada uma das possíveis abordagens que o Ágil proporciona e pronto! Daria um certificado para cada um dos participantes e diria, “Acabamos! Saiam e disseminem o Ágil aos quatro cantos do mundo!” Mas, não existe! Então, o primeiro ponto é entender que não existe mágica.

A famosa imagem do nosso guarda-chuva Ágil não cria por si só a implementação do Ágil, mas sim, nos mostra os possíveis caminhos para a Agilidade dentro de nossas ações.

 

Entendido isso, afirmo que em discussões dentro da comunidade, eventos e até em conversas com outros profissionais que também são responsáveis por mostrarem às organizações os caminhos para a Agilidade. Existe uma grande força-tarefa em cima de um mesmo ponto: a cultura das organizações.

 

Muitos perguntam, mas será mesmo Dionei? Isso não é uma desculpa para um possível fraquejar? Precisamos sair dos “achismos”, aliás, achismo e Ágil não combinam! Precisamos ser pragmáticos, então, que fujamos da poesia e cheguemos aos números!

 

Dentro dos vários canais que veiculam informações sobre o mundo Ágil, nós temos um relatório chamado State of Agile Report (https://www.stateofagile.com/). Este material é desenvolvido pela CollabNet VersionOne. Um relatório íntegro, que através de pesquisas que abrangem todos os continentes, e todos os papéis dentro das organizações, nos traz informações muito valiosas, como os benefícios percebidos pelas organizações que utilizam abordagens Ágeis, desafios, métricas, escala e boas práticas.

 

Na 13ª edição deste relatório, liberada no início de 2019, logo nas primeiras páginas, temos um item chamado, Continuing Trends. Este item nos diz o seguinte:

“Mais uma vez, as respostas da pesquisa indicam que as questões culturais da organização continuam sendo os principais impedimentos para a adoção e o dimensionamento ágil. A resistência geral à mudança, o apoio e patrocínio insuficientes da administração e a cultura organizacional que está em desacordo com os valores ágeis são os três principais desafios.”.

 

Então ao meu ver, o maior desafio está neste ponto, na resistência à mudança, no passo de se reinventar enquanto organização, no fato de se reinventar enquanto profissional! Eventualmente, estas mudanças atingem nossos egos, nossas posições dentro de uma organização, afinal, o Ágil pede por transparência!

  

PMI SC –  Para você quais são os principais benefícios de um projeto com viés Ágil? Poderia indicar um case ou uma ferramenta que possa ser útil para os demais profissionais também?

 Dionei Piazza – Muitos são os benefícios que as organizações e pessoas percebem ao caminharem para a Agilidade. Visibilidade, controle de priorização, comunicação, deixa de fazer estimativas e percebe o valor da previsibilidade, qualidade, trabalho colaborativo, criatividade e clientes satisfeitos. De forma resumida, tudo isso significa “Maturidade e Aprendizagem Organizacional”.

 

Prefiro não me apegar às árvores, e sim usufruir das suas sombras, portanto, indicarei o método Kanban do David Anderson. Um método que não é prescritivo e tem uma abordagem totalmente evolucionária, logo, focado em melhorias contínuas.


Quer saber mais sobre Ágil? Participe do Workshop PMO Ágil, com Fábio Cruz!
Florianópolis – 27 de julho – http://pmisc.org.br/workshop-pmo-agil-joinville/
Joinville – 03 de agosto – http://pmisc.org.br/workshop-pmo-agil-joinville/